Financiamento da biodiversidade cobre menos de 20% do necessário, alerta CNI

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Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o financiamento destinado à preservação da biodiversidade global atende entre 16% e 19% das necessidades totais. Com um déficit estimado em US$ 711 bilhões anuais, a falta de recursos representa um grande desafio para impedir a perda da diversidade biológica no planeta.

O levantamento faz parte do documento “Visão da Indústria sobre a COP16”, onde a CNI apresenta sete prioridades da agenda internacional, diretamente ligadas ao setor industrial e ao monitoramento do plano de biodiversidade. O gerente de Recursos Naturais da CNI, Mário Cardoso, destacou o papel das indústrias no desenvolvimento sustentável e como elas têm lidado com os impactos em áreas de biodiversidade.

“Algumas indústrias utilizam recursos da biodiversidade, como as do setor cosmético e farmacêutico, e elas demonstram a relação com as comunidades locais e os conhecimentos tradicionais associados. Outras, mesmo sem usar esses recursos, operam em ambientes naturais e mostram o que estão fazendo para proteger esses ecossistemas,” explicou Cardoso.

Monitoramento e transparência

Um dos pontos centrais defendidos pela CNI é o monitoramento contínuo do Plano de Biodiversidade, com a participação ativa da indústria. A confederação defende a adoção de mecanismos que garantam transparência no acompanhamento das metas estabelecidas, permitindo identificar lacunas e tomar decisões para garantir o cumprimento dos objetivos globais até 2030.

Entre as propostas, estão a participação do setor industrial no desenvolvimento dos indicadores para os relatórios nacionais, o uso de padrões voluntários de sustentabilidade e a promoção de um processo participativo envolvendo a sociedade civil, academia, povos indígenas, e diferentes níveis de governo.

Repartição de benefícios e biologia sintética

A CNI também destacou a importância da repartição de benefícios relacionados à Informação de Sequência Digital (DSI) e a necessidade de procedimentos operacionais simples e transparentes. Segundo o documento, é crucial garantir o direito de acesso e uso desses dados para não inibir investimentos em pesquisa e inovação.

Além disso, o estudo aborda a biologia sintética, defendendo que seus avanços sejam acessíveis globalmente, sem barreiras restritivas que possam inibir a pesquisa e o desenvolvimento na área. A confederação propõe incentivos para capacitação e transferência de tecnologia, especialmente para países em desenvolvimento.

Financiamento e mudança climática

Outro ponto crucial é a mobilização de recursos financeiros. O documento sugere o desenvolvimento de diretrizes e boas práticas que incentivem soluções financeiras inovadoras, além de flexibilidade para integrar a biodiversidade ao financiamento privado.

Por fim, a CNI reforça a necessidade de estratégias que previnam a perda de biodiversidade e potencializem a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas. Uma das propostas é o incentivo a sistemas agroflorestais, combinando árvores e cultivos agrícolas, e o uso de biomassa como fonte de energia renovável.

Com essas diretrizes, a indústria brasileira busca contribuir de forma significativa para a preservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, enquanto defende um papel mais ativo e colaborativo na construção de soluções para o futuro do planeta.

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