A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou um novo conjunto de regras para as Séries A e B do Campeonato Brasileiro, com o objetivo de aumentar o tempo efetivo de bola em jogo e reduzir paralisações consideradas desnecessárias. As mudanças começam a ser aplicadas a partir da 23ª rodada e atingem situações como reposição de bola, atendimento médico, substituições, comunicação com árbitros e utilização do VAR.
O pacote foi discutido com representantes dos 40 clubes das duas principais divisões nacionais. A preocupação central está no ritmo das partidas. Levantamentos apresentados durante as discussões indicaram que os jogos da Série A registram, em média, 52 minutos e 54 segundos de bola efetivamente rolando.
A intenção é elevar esse número inicialmente para uma faixa entre 57 e 58 minutos e, posteriormente, aproximá-lo dos 60 minutos.
Goleiros e reposições terão contagem de tempo
Uma das principais alterações estabelece limite de oito segundos para que o goleiro permaneça com a bola nas mãos. Caso ultrapasse esse período, a equipe adversária será beneficiada com um escanteio.
Tiros de meta e cobranças de lateral também entram no esforço para reduzir a demora nas reposições. Nesses casos, o limite estabelecido será de cinco segundos.
Outra mudança importante envolve as substituições. O jogador substituído terá dez segundos para deixar o gramado. Caso demore além do permitido, poderá receber cartão amarelo.
As medidas buscam diminuir situações em que equipes tentam administrar o resultado retardando deliberadamente o reinício da partida.
Atendimento médico terá nova consequência
O protocolo para atendimento médico dentro de campo também será modificado. O jogador atendido precisará permanecer fora do gramado durante um minuto antes de retornar à partida.
Há ainda uma particularidade quando o atendimento envolver goleiros. Nesse caso, um jogador de linha da mesma equipe também terá de deixar temporariamente o campo pelo mesmo período.
A proposta pretende desencorajar interrupções desnecessárias e tornar o jogo mais contínuo, especialmente nos minutos finais, quando paralisações costumam provocar reclamações de jogadores, treinadores e torcedores.
Capitães ganham protagonismo no diálogo com árbitros
A relação dos atletas com a arbitragem também sofrerá mudanças. Somente os capitães poderão se aproximar para conversar diretamente com o árbitro em determinadas situações. Os demais jogadores deverão manter distância, evitando aglomerações e discussões ao redor dos profissionais responsáveis pela condução da partida.
Outra determinação prevê punição mais severa para jogadores que cobrirem a boca durante discussões com adversários. A conduta poderá resultar em cartão vermelho.
O VAR também ganhará uma possibilidade adicional de intervenção. O sistema poderá revisar situações envolvendo um segundo cartão amarelo que provoque a expulsão de um jogador.
Já a análise de escanteios que posteriormente resultem em gol ou pênalti ficará para uma etapa posterior de implementação.
Clubes aprovam mudanças por ampla maioria
A maior parte do pacote recebeu apoio expressivo dos clubes, com 38 votos favoráveis e apenas dois contrários à implementação imediata das alterações. Grêmio e Vitória posicionaram-se contra a adoção das medidas ainda nesta temporada.
A regra envolvendo jogadores que cobrem a boca durante discussões teve maior resistência, sendo aprovada por 26 votos a 14.
Com as alterações, o futebol brasileiro inicia uma tentativa de modificar comportamentos consolidados ao longo dos anos. Mais do que estabelecer novas punições, o objetivo é fazer com que as partidas tenham maior fluidez, menos interrupções e mais tempo dedicado ao elemento central do espetáculo: a bola em jogo.