ova Iguaçu alcança um marco inédito ao sediar a maior exposição dedicada ao barroco brasileiro realizada nas últimas décadas. A iniciativa coloca a cidade da Baixada Fluminense no centro do cenário cultural nacional e reposiciona a região como polo de valorização da arte, da memória e do patrimônio histórico. Ao reunir um acervo de grande envergadura, a mostra rompe barreiras geográficas e simbólicas, tradicionalmente associadas aos grandes centros culturais do país.
A exposição apresenta mais de trezentas obras de arte sacra e esculturas coloniais, produzidas entre os séculos XVI e XIX. São imagens religiosas, peças em madeira e pedra, elementos litúrgicos e esculturas de devoção popular que revelam a riqueza estética e simbólica do barroco no Brasil. Parte significativa do acervo pertence a coleções raramente acessíveis ao público, o que confere caráter excepcional à iniciativa.
Entre os destaques estão obras atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, ícone máximo do barroco brasileiro. Algumas dessas peças são exibidas publicamente pela primeira vez, ampliando o conhecimento sobre o mestre mineiro e oferecendo novas perspectivas para estudiosos e apreciadores da arte colonial. Ao lado dessas obras consagradas, a exposição também valoriza artistas menos conhecidos, fundamentais para compreender a diversidade regional e técnica do período.
Instalada em um espaço cultural restaurado e preparado para receber exposições de grande porte, a mostra foi organizada de forma a permitir uma leitura cronológica e temática do barroco religioso. O percurso conduz o visitante por diferentes expressões da fé, da devoção popular e da estética sacra, evidenciando como a arte era utilizada como instrumento de catequese, identidade e poder simbólico durante o período colonial.
Mais do que um evento artístico, a exposição assume um papel educativo e social. Ao aproximar a população de um patrimônio historicamente restrito a igrejas, museus especializados ou coleções privadas, promove a democratização do acesso à cultura. Escolas, pesquisadores, estudantes e visitantes encontram ali um espaço de aprendizado, reflexão e contato direto com uma parte fundamental da formação histórica do Brasil.
O impacto simbólico para Nova Iguaçu é significativo. Ao receber uma exposição desse porte, o município afirma sua capacidade de produzir e sediar eventos culturais de relevância nacional. A iniciativa também desafia estereótipos historicamente associados à Baixada Fluminense, revelando uma região com forte potencial cultural, histórico e artístico.
Outro aspecto relevante é a contribuição para a preservação do patrimônio. Ao catalogar, restaurar e expor obras de diferentes origens, a mostra fortalece a consciência sobre a importância da conservação da arte sacra colonial, frequentemente ameaçada pelo abandono, pelo tráfico ilegal ou pela deterioração do tempo. A visibilidade pública atua como ferramenta de proteção e valorização desses bens.
A exposição transforma Nova Iguaçu em rota obrigatória para quem deseja compreender a profundidade do barroco brasileiro além dos circuitos tradicionais. Ao unir arte, fé, história e identidade, o projeto demonstra que grandes acontecimentos culturais não dependem apenas de localização geográfica, mas de visão, investimento e compromisso com a memória coletiva. A cidade, agora, se inscreve de forma definitiva no mapa cultural do país.